Bolsa derrapa na ineficácia da política econômica…

No meu artigo – O Índice Bovespa e seu desempenho recente, de 01 de junho de 2013, eu finalizei dizendo que: “Para melhorar a atratividade ou os preços das ações tendem a ser ajustar para baixo ou o lucro das empresas tem que aumentar. Do contrário iremos assistir um 2013 com forte volatilidade”.

Não deu outra, a bolsa caiu desde lá 3,14%, é o menor nível desde 7 de outubro de 2011.

O que Aconteceu? Os investidores estão com mau humor com Brasil?

Evidentemente que não! Os fatores são o baixo crescimento da economia, os resultados fracos das empresas, alta da inflação e a equivocada política econômica de distribuir estímulos a setores escolhidos a dedo. Ao invés de avançar nas questões regulatórias e burocráticas o país se arrasta ainda na decisão dos aeroportos, e não desburocratiza as exportações e na melhoria da operação dos portos e a medida errada de zerar a alíquota de IOF da renda fixa para investidores estrangeiros.

Voltando as medidas de estímulo. Elas são eficazes no curto prazo, ao todo, são 40 setores beneficiados, com uma renúncia fiscal estimada em R$ 12,8 bilhões somente em 2013. Em quatro anos, o governo estará abrindo mão de R$ 60 bilhões de receitas. Parece ótimo no curto prazo, mas no longo prazo a proteção e privilégios vão ser um tiro no pé do governo. No final os capitães da indústria não vão investir em eficiência e vão pedir mais proteção. Qual será a moeda de troca nessa negociação? Claro, acertou quem pensou em ameaças de desemprego, redução de investimentos, tudo como antes.

Mexeu na hora errada no IOF para estrangeiros

O ministro da economia ainda não aprendeu a conviver com o mercado, é uma pena, apanha e não aprende. A mediada de zerar a o IOF foi um tiro pela culatra. Alguns investidores desconfortáveis com o cenário econômico só estavam esperando uma oportunidade melhor por causa da taxação de 6%, com ela zerada foi um “hasta la vista” retumbante, provocando uma forte alta no dólar.

Para acabar de azedar o ânimo uma agência de rating revisou a perspectiva dos títulos da dívida brasileira de estável para “negativa” e já mandou recado dizendo que pode fazer o mesmo com bancos e empresa brasileiras.

E que tudo isso tem o que a haver com a Bolsa?

Bem, como dinheiro é apartidário e sem fronteira, os administradores de fundos que utilizam os ratings das agências para alocação de recursos imediatamente tomaram o caminho de volta e repatriaram R$1,9 bi da nossa bolsa. Simples, sem dor ou reclamação.

Porque as agências de rating tem tanta influência nas decisões do mercado de capitais?

Os fundos de investimentos tanto domésticos como estrangeiros são regidos por normas que balizam suas operações. Uma delas é de que não podem fazer operações com papéis que tenham rating negativo. Quando um ativo tem seu rating alterado para perspectiva “negativa”, como agora, o administrador desses fundos é obrigado a se desfazer imediatamente, por isso a bolsa caiu…

Para finalizar

A bolsa continua a não ser atrativa e a volatilidade vai continuar. O P/L estimado para dezembro de 2013 está em 14,2x. Isso dá um retorno de 7,01% ao ano. Com a taxa Selic em 8% você colocaria seu dinheiro aonde?  Pois é nós todos… na Renda Fixa.

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